Trump frustra Kremlin e cancela encontro com Putin no G20

Escrito por  G1
Publicado em Mundo
Quinta, 29 Novembro 2018 15:21

Motivo da decisão é a escalada da crise entre Rússia e Ucrânia na Crimeia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou nesta quinta-feira (29/11) o encontro marcado com o russo Vladimir Putin. O motivo, segundo o norte-americano, é a continuidade da crise entre Rússia e Ucrânia na região da Crimeia.

Pelo Twitter, Trump justificou o cancelamento porque os militares e os navios ucranianos ainda não foram soltos pela Rússia.

"Baseado no fato de que os navios e os marinheiros [ucranianos] não retornaram da Rússia para a Ucrânia, eu decidi que seria melhor a todas as partes envolvidas cancelar o encontro anteriormente agendado na Argentina com o presidente Vladimir Putin. Espero ter um importante encontro novamente assim que a situação seja resolvida", tuitou Trump.

Os dois chefes de estado tinham uma reunião marcada em Buenos Aires, Argentina, durante a cúpula do G20. Trump havia ameaçado cancelar o compromisso em entrevista ao jornal "The Washington Post", na terça-feira. No entanto, Putin confirmou, nesta quinta, que o encontro ocorreria.

Segundo a agência russa Interfax, Putin não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o cancelamento da reunião. Um porta-voz disse que o presidente da Rússia só soube da posição de Trump "pelo Twitter e pela imprensa".

Ainda de acordo com a Interfax, o porta-voz do Kremlin disse que Putin estava a caminho da Argentina nesta tarde e "terá algumas horas a mais para encontros úteis" por causa do cancelamento.

Mapa mostra trajeto das embarcações da Ucrânia atacadas por navios da Rússia — Foto: Fernanda Garrafiel/G1

Mapa mostra trajeto das embarcações da Ucrânia atacadas por navios da Rússia — Foto: Fernanda Garrafiel/G1

Relação Rússia e Ucrânia

Desde a anexação da península ucraniana da Crimeia em 2014, a relação de ambos países está em seu pior momento.

Sobre o incidente do último domingo, a Rússia denuncia uma "provocação" e uma violação do direito internacional. Por sua vez, a Ucrânia denuncia um "ato de agressão" de Moscou e pede a libertação dos marinheiros e o regresso dos navios.

Acusados de ultrapassar a fronteira russa de maneira ilegal, 15 marinheiros ucranianos, dos 24 detidos, estão em detenção preventiva até 25 de janeiro. Os demais vão comparecer perante a justiça nesta quarta-feira.

O presidente ucraniano Petro Poroshenko evocou na terça à noite a "ameaça de uma guerra" com a Rússia. Nesta quarta, ele promulgou lei marcial em 10 regiões fronteiriças do país e nas regiões costeiras do Mar Negro e Azov.

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