Venezuela volta a ficar diante de risco de uma moratória

Escrito por  France Presse
Publicado em Mundo
Sexta, 10 Novembro 2017 22:38

Comitê de credores irá se reunir na próxima segunda em Nova York para avaliar consequências do atraso dos pagamentos da PDVSA

Em risco de moratória pelo pagamento atrasado de um bônus da petroleira estatal PDVSA, a Venezuela deve quitar na sexta-feira (10/11) outros US$ 81 milhões, a primeira obrigação a ser cumprida desde que o presidente Nicolás Maduro anunciou que buscará renegociar a dívida externa (na foto, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, exibe uma nota de 100 mil bolívares durante reunião com ministros em Caracas, na quarta-feira / Foto: Miraflores Palace/Handout via Reuters).

Um comitê da Associação Internacional de Swaps e Derivados (ISDA), que agrupa credores privados de dívida, decidiu nesta sexta-feira se reunir na próxima segunda em Nova York para avaliar as consequências do atraso dos pagamentos da PDVSA a seus credores internacionais.

Uma análise negativa da ISDA desencaderia uma moratória e iniciaria o pagamento de CDS (Credit Default Swaps), seguros contratados pelos credores para dívidas não pagas.

O governo anunciou há uma semana que tinha começado a transferência de US$ 1,161 bilhão do bônus 2017 da PDVSA, mas credores não tinham recebido os pagamentos.

Além disso, os US$ 81 milhões de juros do bônus PDVSA 2017 vencem nesta sexta-feira, três dias antes de um encontro com credores dos bônus em Caracas, convocado por Maduro há uma semana, quando anunciou seu plano de renegociar a dívida, de cerca de US$ 150 bilhões.

Devido aos atrasos e títulos a vencer, as agências Fitch, Standard and Poor's e Moody's rebaixaram a classificação da dívida venezuelana, alertando para uma moratória dentro de curto prazo.

"Estamos no fim do jogo e, agora, tornou-se uma questão de dias, não semanas, até que se confirme o não pagamento", opinou a Capital Economics.

O governo deverá pagar, na segunda-feira (13/11), outros US$ 200 milhões, além dos juros. Ao todo, deve quitar entre US$ 1,47 bilhão e US$ 1,7 bilhão em juros dos bônus até o fim deste ano.

"A 'renegociação e restruturação' da dívida têm muitos obstáculos. O cenário mais possível é uma eventual moratória", disse à AFP Andrea Saldarriaga, analista para América Latina do Atlantic Council.

Sanções dos EUA

As sanções que os Estados Unidos impuseram à Venezuela em agosto impedem que o governo recorra a fontes externas de capital e que investidores americanos negociem a dívida venezuelana.

"Isso dificulta chegar a um acordo com seus credores", opinou Saldarriaga.

Cerca de 70% dos credores de bônus são americanos e canadenses. "A isso se soma a falta de liquidez da Venezuela", acrescentou.

Com a economia devastada e reservas internacionais de US$ 9,7 bilhões, Caracas terá de pagar, em 2018, cerca de US$ 8 bilhões.

Outro obstáculo é que Maduro designou como principal negociador o vice-presidente Tareck El Aissami, incluído por Washington em uma lista de funcionários venezuelanos sancionados.

Na quinta-feira (09/11), o governo de Donald Trump acrescentou outros dez funcionários à lista. Além disso, a União Europeia prevê adotar nesta segunda sanções contra a Venezuela.

Maduro acusa os Estados Unidos e seus "comparsas" de uma "perseguição financeira" para asfixiar o país, por ter um governo socialista.

Mas confia em seus aliados China, a quem a Venezuela deve cerca de US$ 28 bilhões, e Rússia, que acertou um acordo de reestruturação de US$ 3 bilhões.

"Maduro pode estar esperando que os credores de bônus pressionem o governo de Trump por algum tipo de isenção", opinou a diretora para América Latina do Eurasia Group, Risa Grais-Targow.

Consequências

O governo venezuelano foi ambíguo em seu plano: fala de "refinanciamento" (oferta de troca de títulos) e de "restruturação" (que obrigaria credores a aceitarem novos termos), segundo o diretor da Ecoanalítica, Alejandro Grisanti.

De acordo com especialistas, para ambos os processos, o país deve mostrar um plano de reformas econômicas. "Deve oferecer garantias de como vai pagar", indicou o economista Orlando Ochoa.

Com a queda dos preços do petróleo, fonte de 96% das divisas do país, o governo reduziu drasticamente as importações para evitar a moratória, provocando uma severa escassez de alimentos e remédios.

Lido 30 vezes Última modificação em Sexta, 10 Novembro 2017 22:49

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