Boeing e Embraer: nova empresa é avaliada em US$ 4,75 bi

Escrito por  ANSA
Publicado em Economia
Quinta, 05 Julho 2018 23:15

Para ter a maior parte da nova empresa, a Boeing terá de pagar US$ 3,8 bi à brasileira

Duas grandes companhias da aviação, Boeing e Embraer, anunciaram nesta quinta-feira (5) um acordo bilionário para a criação de uma joint venture , jargão utilizado para definir a criação de uma nova empresa, já avaliada em US$ 4,75 bilhões. De acordo com a cotação do Banco Central, o valor equivale a pouco mais de R$ 18,5 bilhões.

Após meses de negociações, ficou combinado entre a americana Boeing e a brasileira Embraer que a companhia dos EUA terá uma participação de 80% na joint venture, enquanto que a nacional ficará com os outros 20%. Entretanto, para ter a maior parte da nova empresa, a Boeing terá de pagar US$ 3,8 bilhões à brasileira – pouco mais de R$ 14,8 bilhões – para que o acordo Boeing e Embraer seja firmado.

A nova empresa da Boeing e Embraer já está em ação?

A resposta é não. Até o momento, apenas o acordo básico entre as companhias foi assinado. Com isso, ainda é necessário que detalhes financeiros sejam debatidos para que o acordo avance e finalmente seja levado à prática.

Além disso, é preciso que acionistas e agências regulatórias aprovem a joint venture . E vale mencionar que, entre as pendências, está a decisão do governo brasileiro, que tem a chamada golden share ou “ação de ouro” da Embraer, o que lhe dá poder de veto em eventual mudança acionária na empresa.

Diante dessa circunstância, a companhia brasileira detalhou que continuará sendo uma empresa de capital aberto, listada na bolsa de valores, e que a golden share da União será mantida, mesmo com a mudança. Com isso, caso as aprovações ocorram no tempo previsto, a transação será concluída até o final do ano que vem.

Como a nova empresa funcionará na prática?

Em comunicado, os grupos declararam que a joint venture será comandada – após conclusão da transação - por uma equipe de executivos no Brasil. Entretanto, isso não significa que o País terá 100% de autonomia diante das decisões da empresa, uma vez que a sede brasileira deverá responder diretamente ao presidente da Boeing, Dennis Muilenburg. Ficou firmado que os norte-americanos terão o “controle operacional e de gestão”.

Entretanto, vale mencionar que, a Embraer ficou com o direito de governança e de veto em temas determinados.

“O acordo não-vinculante propõe a formação da joint venture que contempla os negócios e serviços de aviação comercial da Embraer, estrategicamente alinhada com as operações de desenvolvimento comercial, produção, marketing e serviços de suporte da Boeing”, detalham as empresas.

Qual o motivo da união Boeing e Embraer?

Em dezembro de 2017, a Boeing e a Embraer anunciaram que pretendiam unir seus negócios para criar uma grande companhia de aviação com as características mais fortes de cada uma.

Enquanto a Boeing é a principal fabricante de aeronaves comerciais para voos longos, com capacidade de transportar muitas pessoas, a Embraer é uma das principais fabricantes de jatos comerciais do mundo, de acordo com seu site, com aeronaves especializadas em voar distâncias menores.

Além disso, a brasileira também é conhecida por fazer jatos regionais, na faixa de 70 a 100 lugares, que são fortemente utilizados em rotas onde a demanda não garante o funcionamento de grandes aviões Boeing ou Airbus. Para se ter uma ideia, o menor jato da Boeing tem capacidade de 130 lugares, o que dificulta pousos e decolagens em locais fisicamente mais restritos.

Como o governo brasileiro tem a golden share da Embarer, ao fazer o anúncio na época, o presidente Michel Temer se pronunciou contrário ao acordo. Ao jornal Folha de São Paulo , ele afirmou apoiar qualquer tipo de negociação, "desde que não se colocasse em jogo o controle acionário da empresa brasileira".

Vale destacar também que a francesa Airbus e a canadense Bombardier se uniram dois meses antes da Boieng e da Embraer anunciarem a então possível negociação. Ou seja, a joint venture também é uma resposta à concorrência mundial.

Empresas e suas expectativas

A Embraer foi fundada em 1969, durante o regime militar, com a ajuda do governo brasileiro. Quando o governo privatizou a empresa, em 1994, a Embraer não foi lucrativa e tinha mais de US$ 200 milhões em dívidas. Mais cedo, naquela década, havia investido esforços no CBA 123, uma inovadora aeronave de hélice de 19 assentos, mas os compradores recusaram o preço íngreme e não venderam um único.

A Boeing, fundada em 1916 e com sede em Chicago, é a maior empresa aeroespacial do mundo. A companhia fabrica aviões comerciais e sistemas de defesa, espaço e segurança. Além dos aviões comerciais, a empresa que faturou US$ 93,3 bilhões no ano passado, faz aeronaves militares, armas, satélites e sistemas de lançamento.

Diante da união, foi calculado que haverá um custo de aproximadamente US$ 150 milhões, que equivale a pouco menos de R$ 600 milhões, até o terceiro ano do negócio. Vale destacar que a carga tributária não foi considerada no cálculo, o que deve elevar ainda mais o orçamento das duas empresas.

Reflexo na Bolsa de Valores

Após o anúncio da joint venture, as ações da Embraer caíram mais de 15% e passaram a ser negociadas a R$ 23,12 nesta quinta-feira. Enquanto que, ontem, os títulos da empresa valiam R$ 26,95 após uma alta de 3,73%.

Já na bolsa de valores de Nova Iorque, as ações da companhia brasileira chegaram a ter uma queda de 10,13% e foram negociadas a US$ 23,55. No dia anterior ao anúncio do acordo, os papéis da nacional eram vendidos por US$ 26,21.

Se a Embraer obteve impactos negativos de 11,5% e 7,06%, para a Boeing a queda das ações foi de 0,17%, com seus títulos sendo vendidos por US$ 332,37. Na véspera, os papéis da estadunidense foram vendidos por US$ 332,93, após uma queda negativa de 0,94%.

Vale destacar que, na época do anúncio entre a possível fusão entre Boeing e Embraer , as ações da empresa nacional chegou a ter uma valorização de quase 40% na bolsa de valores de São Paulo.

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