Rebelião contra o STF: ministros perdem apoio na magistratura

Publicado em Política
Sexta, 06 Julho 2018 21:33

Depois de soltarem inúmeros condenados da Lava Jato, os ministros da 2ª Turma foram atacados por procuradores e juízes

As recentes decisões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), favorecendo criminosos da Lava Jato, geraram reações em série da sociedade diante do teor injustificável das sentenças e da insegurança jurídica que provocaram. Após uma bateria de comentários críticos desde a semana passada, os promotores de Justiça, que atuam na ponta dos processos, junto às varas de 1ª Instância, resolveram abrir guerra declarada contra a tríade formada pelos ministros Dias Toffoli (na foto acima), Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski da 2ª Turma do STF, aquela que, por sua camaradagem com quem comete delitos, ficou conhecida como “Jardim do Éden”. Na quarta-feira 4, divulgaram uma nota técnica assinada por quase 200 integrantes do MP pedindo ao STF o cumprimento da execução da pena a partir da condenação em 2ª Instância, acabando, assim, com a “Operação Libera a Jato” que o trio resolveu colocar em marcha.

No documento digital, de 15 páginas, juízes e promotores fazem um alerta: os integrantes da 2ª Turma tentam confundir o País e seus pares ao quererem empregar as mesmas regras da prisão preventiva à execução da pena após a condenação em 2ª Instância, como a de que o réu deverá ser encarcerado somente se representar perigo à sociedade ou se estiver incorrendo no mesmo tipo de crime. Os promotores argumentam que a prisão após condenação em 2ª Instância dispensa esses requisitos, porque não é processual. E esse foi o entendimento do pleno do Supremo. Assim, precisa ser seguido por todo o Judiciário, a começar pelas instâncias intermediárias do STF.

Entusiasta do manifesto, o promotor de justiça do Distrito Federal Renato Varalda disse que a adesão ao documento deve aumentar ao longo da próxima semana. “O objetivo é sensibilizar o Supremo para que ele mantenha o entendimento de vinculação das decisões do pleno aos ministros e às Turmas desse Tribunal, bem como sedimentar o entendimento de que a prisão, após a condenação em 2ª Instância, não possui como fundamento a cautelaridade, prevista no artigo 312 do Código de Processo Penal, porque já houve o esgotamento da apreciação do fato pelas instâncias ordinárias”, explica ele.

Liberou geral

A crítica se refere às últimas decisões do Supremo, que usou o subterfúgio de que a prisão após a 2ª Instância deve obedecer aos critérios da prisão preventiva como um dos argumentos para soltar presos da Lava Jato. No dia 26 de junho, o triunvirato Toffoli, Mendes e Lewandowski liberou o ex-ministro José Dirceu, depois dele ter voltado para a cadeia. Na semana passada, Toffoli foi além: contrariando uma decisão do juiz Sergio Moro, eximiu Dirceu de usar tornozeleira eletrônica. O coordenador da Lava-Jato no Paraná, procurador Deltan Dallagnol, reagiu de maneira contundente: “A 2ª Turma suspendeu pena contra decisão do STF que permite prisão em 2ª instância. Naturalmente, cautelares (tornozeleiras) voltavam a valer. Agora, Toffoli cancela cautelares de seu ex-chefe”. O ministro também derrubou outras cautelares de Moro, como a entrega de passaporte e a proibição de se comunicar com demais acusados e testemunhas.

Nunca integrantes do STF estiveram tão em xeque como agora. O ideal iluminista, defendido por magistrados de toga em seus votos, tinha como propósito pôr fim ao poder absoluto do rei e diluí-lo entre três poderes distintos. Coube ao Judiciário ser a “boca que reproduz as palavras da lei”, segundo Montesquieu em O Espírito das Leis. Ocorre que toda vez que é vilipendiada, sobretudo por ministros que deveriam ser o seu principal guardião, a Constituição vira letra morta, tábula rasa. As decisões levadas adiante nas últimas semanas carecem de juridicidade e escancaram à sociedade civil a precariedade da instância máxima do Judiciário e o que é pior: provocam insegurança jurídica decorrente de decisões parciais vindas de uma corte, cujas características são – ou ao menos deveriam ser – exatamente a sua natureza técnica e apolítica. Não se pode aceitar que, em nome da defesa de determinados interesses, se promova o absolutismo de um Poder Judiciário incontrolável, que se declara como detentor da última palavra sobre o sentido da Constituição e que hoje já não tem escrúpulos em promover interesses próprios às custas da constitucionalidade.

A sociedade está atenta. Após a soltura de Dirceu, as caixas de e-mails do STF ficaram inundadas com críticas à decisão da 2ª Turma. Numas das mensagens que chegou para todos os ministros, havia apenas a repetição de uma palavra: “vergonha”.

Justiça bloqueia R$ 3,1 milhões de Crivella e mais oito

Publicado em Política
Segunda, 16 Julho 2018 20:58

Prefeito do Rio é citado na ação por supostas fraudes na época em que exercia o cargo de ministro da Pesca e Aquicultura

O juiz federal Renato C. Borelli, da 20ª Vara Federal, do Distrito Federal, decretou nesta segunda-feira (16/07) o bloqueio de R$ 3.156.277,60 do prefeito do Rio Marcelo Crivella (na foto), do PRB, e de outros oito investigados e uma empresa, todos citados em uma ação por improbidade administrativa. Crivella é citado na ação por supostas fraudes na época em que exercia o cargo de ministro da Pesca e Aquicultura, entre 2012 e 2014 (Governo Dilma), Pasta que foi extinta.

O bloqueio vai atingir “todos os valores creditados em contas bancárias, cadernetas de poupança, fundos de investimento ou quaisquer outras aplicações financeiras cujo titular seja um dos investigados”.

O magistrado afirma, na decisão, haver “fortes indícios de irregularidades cometidas no âmbito do contrato nº 6/2013”, firmado entre o Ministério da Pesca e Aquicultura e uma empresa de serviços de engenharia. Renato C. Borelli registrou ainda que “são claros” os indícios da prática de improbidade administrativa.

O objeto do contrato do Ministério da Pesca era “a prestação de serviços eventuais de instalação/substituição de vidros, portas de vidro temperado, espelhados e acessórios, colocação de película reflexiva e placas acrílicas para sinalização interna, como o fornecimento de materiais afetos à sede” da Pasta.

Durante a investigação, a Controladoria-Geral da União (CGU) detectou que “ocorreu contratação de serviços sem necessidade demonstrada e com superestimativa de quantidades e apontou um sobrepreço de R$ 411.595 mil”.

O Ministério Público Federal afirmou que “o sucesso do esquema fraudulento contou com a colaboração de todos os requeridos, cada um na individualidade de sua conduta e em concerto com os demais”.

“A atuação dos agentes centrava-se em dois núcleos distintos e harmônicos. O primeiro núcleo era composto pelo alto escalão do referido Ministério, sendo que nele atuava Marcelo Bezerra Crivella, na qualidade de Ministro da Pesca e Aquicultura”, apontou a Procuradoria da República.

“O segundo núcleo de agentes ímprobos conta com a participação de servidores comissionados, também nomeados para atuar nas licitações realizadas pelo Ministério da Pesca e Aquicultura durante o mandato do ex-ministro Marcelo Bezerra Crivella.”

Três alvos da ação foram comissionados do Ministério no período em que Marcelo Crivella era o ministro. Segundo o Ministério Público Federal, o atual prefeito do Rio, “ao assumir a Pasta, realizou mudanças em quase todos os cargos comissionados”.

“Ressalta-se, que todo o alto escalão tinha contato direto com o então ministro”, registraram os investigadores.

Incêndios na Amazônia: ONGs assinam manifesto contra Bolsonaro

Publicado em Política
Quinta, 22 Agosto 2019 16:56

O presidente acusou as ‘ONGs que perderam grana’ pelos incêndios na Amazônia

Após o presidente Jair Bolsonaro (na foto), do PSL, afirmar que os incêndios na Amazônia “podem ter sido potencializados por ONGs que perderam grana“, 118 Organizações Não Governamentais escreveram uma carta repudiando a fala do presidente e argumentado que o aumento das queimadas acontece por ações do próprio governo.

“O presidente deve agir com responsabilidade e provar o que diz, ao invés de fazer ilações irresponsáveis e inconsequentes, repetindo a tentativa de criminalizar as organizações, manipulando a opinião pública contra o trabalho realizado pela sociedade civil”, afirma a nota.

Bolsonaro fez a acusação na quarta-feira (21/08) sem utilizar provas que comprovam o argumento. Seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, também comentou sobre o assunto. Para o integrante do governo, as queimadas da Amazônia são ‘sensacionalismo ambiental’ e estão relacionadas a fake news.

“Enquanto o governo justifica a flexibilização das políticas ambientais como necessárias para a melhoria da economia, a realidade é que enquanto as emissões explodem, o aumento do PIB se aproxima do zero”, argumentam as ONGs.

Leia a nota na íntegra:

Os focos de incêndio em todo o Brasil aumentaram 82% desde o início deste ano, para um total de 71.497 registros feitos pelo Inpe, dos quais 54% ocorreram na Amazônia. Diante da escandalosa situação, Bolsonaro disse que o seu “sentimento” é de que “ONGs estão por trás” do alastramento do fogo para “enviar mensagens ao exterior”.

O aumento das queimadas não é um fato isolado. No seu curto período de governo, também cresceram o desmatamento, a invasão de parques e terras indígenas, a exploração ilegal e predatória de recursos naturais e o assassinato de lideranças de comunidades tradicionais, indígenas e ambientalistas. Ao mesmo tempo, Bolsonaro desmontou e desmoralizou a fiscalização ambiental, deu inúmeras declarações de incentivo à ocupação predatória da Amazônia e de criminalização dos que defendem a sua conservação.

O aumento do desmatamento e das queimadas representa, também, o aumento das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, distanciando o país do cumprimento das metas assumidas no Acordo de Paris. Enquanto o governo justifica a flexibilização das políticas ambientais como necessárias para a melhoria da economia, a realidade é que enquanto as emissões explodem, o aumento do PIB se aproxima do zero.

O presidente deve agir com responsabilidade e provar o que diz, ao invés de fazer ilações irresponsáveis e inconsequentes, repetindo a tentativa de criminalizar as organizações, manipulando a opinião pública contra o trabalho realizado pela sociedade civil.

Bolsonaro não precisa das ONGs para queimar a imagem do Brasil no mundo inteiro.

Brasil, 21 de agosto de 2019

Assinam o documento: Ação Educativa; Angá; Articulação Antinuclear Brasileira; Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB); Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (APEDEMA); Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia (AGENDHA); Associação Agroecológica Tijupá; Associação Alternativa Terrazul; Associação Ambientalista Copaíba; Associação Ambientalista Floresta em Pé (AAFEP); Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA); Associação Arara do Igarapé Humaitá (AAIH); Associação Brasileira de ONGs (ABONG); Associação Civil Alternativa Terrazul; Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (AQUASIS); Associação de Preservação da Natureza do Vale do Gravataí; Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (APREMAVI); Associação Defensores da Terra; Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC); Associação em Defesa do rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (APOENA); Associação Flora Brasil; Associação MarBrasil; Associação Mico-Leão-Dourado; Associação Mineira de Defesa do Ambiente (AMDA); Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA / FLD); Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP); Centro de Estudos Ambientais (CEA); Centro de Trabalho Indigenista (CTI); Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro Brasileiro; Cidade Escola Aprendiz; Coletivo BANQUETAÇO; Coletivo Delibera Brasil; Coletivo do Fórum Social das Resistências de Porto Alegre; Coletivo Socioambiental de Marilia; Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre); Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN / FLD); Conselho Indigenista Missionário (CIMI); Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB); Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE); Ecossistemas Costeiros (APREC); Elo Ligação e Organização; Espaço de Formação, Assessoria e Documentação; FADS – Frente Ampla Democrática Socioambiental; FEACT Brasil (representando 23 organizações nacionais baseadas na fé); Federação de Órgãos para Assistencial Social e Educacional (FASE); Fórum Baiano de Economia Solidária; Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (FBOMS); Fórum da Amazônia Oriental (FAOR); Fórum de Direitos Humanos e da Terra; Fórum de ONGs Ambientalistas do Distrito Federal; Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo (FOAESP); Fórum Ecumênico ACT Brasil; Fórum Social da Panamazônia; Fundação Avina; Fundação Luterana de Diaconia (FLD); Fundação Vitória Amazônica (FVA); GEEP – Açungui; Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero; Grupo Ambientalista da Bahia (GAMBA); Grupo Carta de Belém; Grupo de Estudos Espeleológicos do Paraná; Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para Agenda 2030; Grupo Ecológico Rio de Contas (GERC); Habitat para humanidade Brasil; Iniciativa Verde; Instituto AUÁ; Instituto Augusto Carneiro; Instituto Bem Ambiental (IBAM); Instituto Centro Vida (ICV); Instituto de Estudos Ambientais – Mater Natura; Instituto de Estudos Jurídicos de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (IDhES); Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc); Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé); Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ); Instituto Ecoar; Instituto EQUIT – Gênero, Economia e Cidadania Global; Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental; Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB); Instituto MIRA-SERRA; Instituto Socioambiental (ISA); Instituto Universidade Popular (UNIPOP); Iser Assessoria; Movimento de Defesa de Porto Seguro (MDPS); Movimento dos Trabalhadores/as Rurais sem Terra (MST); Movimento Nacional das Cidadãs PositHIVas de São Paulo; Movimento Paulo Jackson – Ética, Justiça e Cidadania; Movimento Roessler; Movimento SOS Natureza de Luiz Correia; Núcleo de Pesquisa em Participação, Movimentos Sociais e Ação Coletiva (NEPAC UNICAMP); Observatório do Clima; OekoBr; Operação Amazônia Nativa (OPAN); Organização dos Professores Indígenas do Acre (OPIAC); Pacto Organizações Regenerativas; Plataforma DHESCA Brasil; ProAnima – Associação Protetora dos Animais do Distrito Federal; Processo de Articulação e Diálogo (PAD); Projeto Saúde e Alegria; Rede Brasileira De Justiça Ambiental; Rede Conhecimento Social; Rede de Cooperação Amazônia (RCA); Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA); Rede de ONGs da Mata Atlântica; Rede Feminista de Juristas (deFEMde); Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS (RNP+BRASIL); Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS do Estado de São Paulo (RNP+SP); Sempreviva Organização Feminista (SOF); SOS Mata Atlântica; Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS); Terra de Direitos; TERRA VIVA – Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Extremo Sul da Bahia; União Protetora do Ambiente Natural (UPAN) e Vida Brasil.

A culpa é do Lula...

Sexta, 27 Maio 2016 12:00

Lula-Dilma-Petrobras

Eu planejava manifestar minha opinião após o desfecho do processo de impeachment, independente do resultado. Mas, infelizmente, não dá para assistir impassível ao espetáculo deprimente e antidemocrático dos bem-remunerados simpatizantes petistas descarregando suas revoltas e mágoas nos representantes da oposição – muitos deles aliados de tão pouco tempo atrás – e até mesmo nos profissionais de imprensa (a maioria autênticos ‘coxinhas’, a bem da verdade) que expressam opiniões contrárias ao projeto de poder do Partido dos Trabalhadores.

 

Particularmente, não sou (nem quero ser) simpatizante ou defensor de qualquer corrente política. Sou – e assumo sem nenhuma cerimônia – antipetista, simplesmente. Por tudo o que conheço da legenda que se apresentou no cenário político brasileiro como palmatória do mundo, celeiro de homens e mulheres sérios e honestos, e que acabou se transformando na maior facção criminosa do ocidente.
Vivi todo o processo de nascimento, crescimento e ocaso do PT. Não como filiado que nunca fui (e jamais serei), mas pelos laços de amizade com muitos que até se tornaram políticos profissionais no sentido mais sujo da palavra. Praticamente 80% do meu leque de amigos era composto por petistas ou simpatizantes. Hoje, este índice se restringe a menos de 30%, pura e simplesmente porque a maioria faz parte da doutrina sexista e intolerante do partido.
Os que me restaram como amigos continuarão sendo por todo sempre especialmente porque se reciclaram ideologicamente e aprenderam com a vida que nem sempre se tem o que se quer e que, principalmente, respeitar o contraditório faz parte da essência do espírito democrático.
Desde sempre eu questionei as práticas petistas de disputar votos, desde as disputas por grêmios estudantis, passando pelas DCEs da vida, sindicatos e, finalmente, pelas próprias eleições majoritárias e proporcionais em todos os níveis. Desde sempre senti o mau-cheiro da corrupção nas hostes petistas e isto sempre pesou na hora em que recebia convites para ingressar no partido. Como eu poderia fazer parte de um grupo político que dizia uma coisa e praticava outra? Que nunca olhava para o próprio rabo? Que ostentava virtudes e jogava os defeitos para debaixo do tapete?
E deu no que deu. Desde o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Osasco (SP), em 2002, em circunstancias até hoje mantidas sob o manto da obscenidade petista, eu decidi pela luta desarmada contra esse grupo político que abdicou de todos os seus princípios programáticos quando ascendeu ao poder no dia 1º de janeiro de 2003, com a posse de Luís Inácio Lula da Silva como presidente da República.
Como se sabe, Lula fez um excelente primeiro governo, perdeu o rumo da história no segundo e começou a desgraçar a sua biografia quando escolheu e impôs ao partido o nome de sua Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Contra tudo e contra todos, o todo-poderoso “chefão” petista impôs sua vontade ao partido e graças à sua até então inabalável popularidade enfiou goela abaixo do país uma governante com pouca e questionada experiência administrativa anterior como secretária municipal da Fazenda, entre 1985 e 1988, na prefeitura de Porto Alegre (RS), na gestão Alceu Collares (PDT, e secretária estadual de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, nos períodos de 1993 a 1994 e de 1999 a 2002, durante os governos de Alceu Collares e o do sucessor Olívio Dura (PT).
Antes disto, Lula (segundo o que tem sido apurado pelo Ministério Púbico Federal e a Operação Lava Jato) arquitetou o mensalão para garantir maioria no Congresso Nacional e sua própria governabilidade. Manteve o esquema para assegurar governabilidade à sua intragável sucessora e esta, por sua vez, tomou gosto pelo poder e começou a se comportar um pouco além da permissividade político-institucional do seu mentor e padrinho político-eleitoral.
A lua-de-mel entre Lula e Dilma sobreviveu ao primeiro mandado, apesar de a ‘presidenta’ ter dado um pé na bunda de alguns dos mais fiéis comparsas de Lula nas atividades corrupcionais petistas, entre eles José Dirceu, Antônio Palocci, José Genoíno, Silvio Pereira, e Patrus Ananias, entre muitos outros.
Lula, então passou a adotar a postura de morde-e-assopra com a ‘presidenta’. Diante das câmeras, apoio incontestável, elogios, afagos, nos bastidores uma intensa campanha de isolamento nas hostes do partido e até mesmo algumas atitudes sabotadoras das decisões governamentais acerca de assuntos que ideologicamente seriam ‘cláusulas pétreas’ do programa petista.
Não foram poucas as oportunidades em que Lula e, principalmente o PT fizeram críticas públicas e veladas às decisões e medidas de Dilma. A crise entre o Lula e Dilma se agravou quando a ‘presidenta’ ignorou os apelos do “chefão” para nomear Henrique Meirelles para o Ministério da Fazenda e preferiu optar pelo “tucano” Joaquim Levy. A escolha, definitivamente quebrou o último elo da ligação entre Rousseff e o PT e até mesmo a sua volta ao PDT chegou a ser especulada, segundo se comenta, a ‘conselho’ de Lula.
O fim da picada veio mesmo com o aprofundamento da crise econômica e seus reflexos geometricamente proporcionais no campo político. Sob a batuta de Levy, o Governo Dilma perdeu de vez o rumo da economia e começou a tomar forma o fantasma do impeachment.
A oposição, a reboque do PSDB – ainda inconformado com a derrota no pleito presidencial de 2014 – partiu para o ataque final protocolando ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na Câmara Federal. Nada menos que 37 pedidos de impeachment foram protocolados na Câmara.
Dilma mantinha a tranquilidade, afinal, como dissera nas conversas telefônicas captadas pela Polícia Federal por ordem judicial expedida pelo juiz Sérgio Moro que - que comanda o time de procuradores da Operação Lava Jato -, ela contava com o escudo de cinco dos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
O mesmo STF que nos grampos telefônicos de pessoas próximas a Lula, o ex-presidente disse ser uma Corte “acovardada”. Aliás o destempero e a aparente ingenuidade do “chefão” do PT selou o destino de Dilma junto aos tribunais superiores: STF, STJ, TSE e o próprio TCU que estavam até então supostamente ’aparelhados’ pelo governo petista.
Como se não bastasse esse clima intranquilo e desfavorável junto aos homens e mulheres de toga, Lula foi mais além e sepultou o mais importante apoio político que Dilma poderia contar para evitar o impeachment.
Quando o então presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) buscou guarida no governo para escapar da ameaça de cassação no parlamento, eis que Lula novamente interfere no processo de negociações definidas numa reunião entre Dilma e Cunha, com as presenças dos ministros Jacques Wagner (Casa Civil), José Eduardo Cardozo (Justiça) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Institucional), na noite anterior à reunião do Conselho de Ética da Câmara que deliberaria pela admissibilidade ou não do processo.
Na penumbra dos bastidores, o todo-poderoso ligou para o cupincha Rui Falcão, presidente nacional do PT, e mandou os três deputados petistas mudarem de posição no Conselho de Ética, votando contra os interesses de Dilma. A denúncia foi aceita, o processo foi aberto e a ira de Cunha resultou na aceitação do pedido de impeachment formulado contra a presidente pelo PSDB através dos advogados Hélio Bicudo (fundador do PT), Miguel Reale Junior e Janaína Paschoal.
E, quando se pensava que Lula tinha chegado ao seu limite de maldades contra a ‘presidenta’, eis que o todo-poderoso arquiteta o seu plano mais maquiavélico: ser ministro da Casa Civil (para muitos, Casa Covil). A estratégia montada com o Rui Falcão – sempre ele – buscava proteger ‘sua santidade’ das garras do juiz Sérgio Moro, por conta das investigações acerca do Sítio de Atibaia, do duplex em Guarujá e o envolvimento do ex-presidente em escândalos nunca antes vistos na história do país.
Mas os petistas esqueceram de ‘combinar’ com o Supremo. O ministro Gilmar Mendes acatou representação da oposição e ‘melou’ a nomeação. De quebra, o episódio serviu para agravar ainda mais a situação política da ‘presidenta’, com tem sido o desejo de Lula nos últimos tempos. O fato é que até o momento a questão tramita no Supremo e isto tem servido de escudo para Lula na sua batalha contra o tempo para fugir da cadeia.
O restante da história todo mundo tem acompanhado pelos veículos de comunicação, especialmente pela internet. Pessoalmente, acho que o impeachment tem sua razão de ser pelo conjunto da obra do Governo Dilma. Do ponto de vista jurídico ainda tenho minhas dúvidas. Acredito que ela vai mesmo ser afastada definitivamente do cargo por vontade política do Congresso e indignação manifesta da maioria da população brasileira.
Repilo veementemente a tese do ‘golpe’, que além de juridicamente incorreta é incoerente coma postura de um partido que apresentou mais de 50 pedidos de impeachment contra governantes anteriores sob o cínico argumento do ‘interesse democrático’ do país. O que quero deixar bem claro é que todo esse jogo de cena maquiavelicamente orquestrado pelo Lula serve para ocultar (e ele é um especialista nisso) o fato de que foi o próprio ex-presidente - que agora põe a responsabilidade e maior pela perda do poder à sua sucessora – o maior responsável (ou irresponsável) pela derrocada petista.
Deixando de lado todas as bravatas, as declarações intempestivas nos áudios captados pela Polícia Federal, as sabotagens nas votações de medidas do governo no Congresso, Lula bem que poderia ter se redimido à sua arrogância e deixado Dilma sacramentar o acordo com Cunha. Toda operação de salvamento do mandato de Dilma teria se concretizado naquele momento com a rejeição do processo contra o presidente da Câmara no Conselho de Ética. Lula superestimou sua própria capacidade de mandar e desmandar no PT, ao mesmo tempo em que subestimou o poder de um deputado que (ainda) controla – por bem ou pelo mal - cerca de 300 dos 513 parlamentares da Casa.
Se Lula tivesse deixado o Cunha escapar da degola, Dilma continuaria o governo até o final do mandato, mesmo com as denúncias da Lava Jato, e o todo-poderoso e seus comparsas continuaria ‘passando o rodo’ no dinheiro público para financiar sua imbatível campanha em 2018. Agora, ao invés de sonho de passar mais oito anos no Palácio do Planalto, Lula vive o pesadelo de retomar a velha ‘parceria’ com José Dirceu no presídio da Papuda.

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