Identificada ossada de desaparecido político após 47 anos

Escrito por  G1
Publicado em Brasil
Segunda, 03 Dezembro 2018 20:33

Sindicalista Aluizio Palhano desapareceu em 1971, durante ditadura militar

Aluizio Palhano, sindicalista desaparecido em São Paulo, durante ditadura militar, em 1971 — Foto: Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos /Reprodução

Os restos mortais do sindicalista Aluizio Palhano, sequestrado e morto em 1971 durante a Ditadura Militar, foram identificados 47 anos depois do seu desaparecimento. A confirmação veio a partir de um cruzamento genético e foi anunciada nesta segunda-feira (03/12) durante o I Encontro Nacional de Familiares de Desaparecidos Políticos, em Brasília.

A ossada estava entre mais de mil restos mortais descobertos em 1990, na vala clandestina de Perus (ver na foto acima), no cemitério Dom Bosco, em São Paulo. Esta é a segunda confirmação obtida, desde 2014, pela Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos (Cemdp), do governo federal.

A primeira ossada identificada foi a do paulista Dimas Antônio Casemiro, em fevereiro deste ano. A vala clandestina de Perus foi descoberta em 1990. As ossadas foram enviadas à Bósnia.

A equipe científica que chegou à identificação do restos mortais do sindicalista Aluizio Palhano foi coordenada pelo perito Samuel Ferreira. Ao G1, o pesquisador explicou que o perfil genético foi identificado por meio do cruzamento do DNA da filha do sindicalista com segmentos ósseos dele – um pedaço do fêmur e um dente.

“Examinando os restos mortais, pelas características físicas, soubemos dizer a estimativa da altura da pessoa, sexo, faixa etária e o tipo de lesão que ele teve”.

Com as informações coletadas com a família, as características foram comparadas com os restos mortais e, só então, veio a confirmação de que a ossada era de Palhano, que desapareceu aos 49 anos. “Todo o procedimento é extremamente cuidadoso e científico, sob princípios éticos, legais e humanitários”.

“A identificação prova, mais uma vez, o uso do cemitério de Perus para desaparecimento de corpos.”

Equipe de peritos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos faz análise de material genético  — Foto: Arquivo pessoal

Equipe de peritos da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos faz análise de material genético — Foto: Arquivo pessoal

Novas identificações

Durante a tarde desta segunda-feira, familiares de desaparecidos políticos coletaram amostras de material genético, em Brasília. O material vai compor o banco de dados da comissão e, depois, será levado para um laboratório em Haia, na Holanda.

O laboratório na Holanda é o mesmo que analisou as amostras enviadas para a Bósnia em 2014. Ele agora tem sede em Haia.

O resultado do procedimento vai servir para a identificação de mais de 40 desaparecidos políticos no Brasil. Ainda não há prazo para novos resultados.

A análise antropológica, de montagem dos restos mortais é feita na UNIFESP, em SP.

Atestados de óbito

José Dalmo, que procura irmão desaparecido há 45 anos, colhe material genético para banco de dados — Foto: Marília Marques/G1

José Dalmo, que procura irmão desaparecido há 45 anos, colhe material genético para banco de dados

— Foto: Marília Marques/G1

Além do anúncio da identificação do sindicalista morto, a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos começou a entregar os relatórios de morte anexados aos atestados de óbito de alguns desaparecidos políticos.

O primeiro documento, com detalhes das circunstâncias, foi entregue nesta segunda. Os demais serão distribuídos ao longo do encontro, até esta terça (04/12).

Os atestados de óbito foram entregues em 1995. No ano passado, uma resolução do Ministério dos Direitos Humanos abriu a possibilidade dos familiares reivindicarem uma retificação neste documento. Desde então, parentes de 60 vítimas da ditadura militar, em todo país, solicitaram a alteração.

Marcelo de Santa Cruz, é irmão de um dos mortos, o pernambucano Fernando Santa Cruz, desaparecido em 1974. Segundo ele, o irmão não era ligado à luta armada, mas era membro da Ação Popular Marxista-Lenista.

A família já tinha recebido o atestado de reconhecimento da morte do estudante, mas veio até Brasília para pedir mais detalhes da situação. “O atestado de reconhecimento de que ele foi morto pela repressão não é suficiente para nós”, afirma Marcelo.

“O importante é saber as circunstâncias em que ele foi morto, onde estão os restos mortais e que sejam apontados os executores.”

Sala para coleta de material genético e entrega de atestados de óbito de desaparecidos durante a ditadura militar — Foto: Marília Marques/G1

Sala para coleta de material genético e entrega de atestados de óbito de desaparecidos durante a ditadura militar

— Foto: Marília Marques/G1

Veja linha do tempo desde a descoberta da vala clandestina em Perus:

- 1990: Local é descoberto em 4 de setembro, e Prefeitura de São Paulo exuma mais de 1.000 sacos plásticos contendo as ossadas;
- 1990: Trabalho de identificação é iniciado no departamento de Medicina Legal da Unicamp;
- 1991: Duas ossadas são identificadas, uma delas é de Dênis Casemiro;
- 1994: Análises são interrompidas;
- 1998: Verifica-se a má conservação dos ossos, que ficaram armazenados em péssimo estado de conservação, empilhados em uma sala, com carteiras escolares em cima dos sacos, além de estarem molhados devido a uma inundação ocorrida no local;
- 1999: Ministério Público Federal (MPF) interveio e, em setembro, foi instaurado na Procuradoria da República em São Paulo o Inquérito Civil Público nº 06/99, para apurar o lento andamento dos trabalhos na identificação das ossadas;
- 2001: Com a intervenção do MPF, a Secretaria de Segurança Pública providenciou a transferência das ossadas da Unicamp para o Instituto Médico-Legal, para prosseguimento dos trabalhos sob a responsabilidade da Universidade de São Paulo (USP);
- 2002: Ossadas são transferidas para o cemitério do Araçá;
- 2005: Terceira ossada é identificada;
- 2006: Trabalhos da USP são paralisados;
- 2009: Paralisação levou ao ajuizamento de ação civil pública pelo MPF em São Paulo;
- 2014: Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (CAAF), da Unifesp, recebe as 1.047 caixas, e análise é assumida pelo Grupo de Trabalho Perus;
- 2017: Mais da metade das caixas tiveram seu conteúdo limpo e analisado, e amostras de ossadas são enviadas para laboratório na Bósnia;
- 2018: Ossada de Dimas Antônio Casemiro é identificada;
- 2018: Ossada do sindicalista Aluizio Palhano é identificada;
- 2018: Familiares de desaparecidos coletam amostras genéticas em Brasília.

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