Os codinomes da indecência nacional Destaque

Escrito por  Abelardo Oliveira Quinta, 05 Março 2015 00:00

 

Do deboche ao escárnio, os apelidos dos integrantes da quadrilha da Lava Jato são a mais bela tradução do quanto políticos e empresários – algumas vezes até membros da mais alta Corte de Justiça do país – são indiferentes às expectativas, sonhos e necessidades do povo brasileiro.

A investigação da operação da Polícia Federal mostra que operadores, executivos e políticos referiam-se uns aos outros com debochados codinomes, como é de praxe em toda e qualquer quadrilha. Um artifício cínico e mordaz de tentar confundir as investigações e evitar que os suspeitos fossem desmascarados.

Mas aos poucos os investigadores foram cruzando informações colhidas nas escutas telefônicas e e-mails trocados entre os criminosos. A estratégia de dificultar as investigações - certamente idealizada por bandidos de toga que auxiliam e orientam os membros da quadrilha – começou a desmoronar quando descobriu-se que o codinome do doleiro Alberto Yousseff era o badalado “Primo”, tão mencionado nas conversas do doleiro Carlos Habib Chater.

E a investigação chegou de vez à Petrobras à partir da descoberta de que o "PR", sempre citado por Youssef, era nada mais nada menos que o ex-diretor de Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa.
A partir daí, as peças do quebra-cabeças do maior esquema de corrupção ‘nunca antes visto’ na história do país, como diria o ex-presidente Lula, guru político e espiritual do Partido dos Trabalhadores em toda a sua essência e indecência.

De acordo com as investigações da Polícia Federal, conheça agora os principais codinomes dos protagonistas do escândalo que jogou na lama a credibilidade da maior empresa estatal do país.

Beb Johnson

Luiz Argôlo

Como se não bastasse o semblante de gigolô americano, o ex-deputado federal Luiz Argôlo era quem, recebia o tratamento mais carinhoso quando falava com o doleiro Alberto Youssef. Além de trocar mensagens afetuosas com o doleiro, com declarações homossemânticas do tipo "eu te amo", o político era chamado de "Bebê Johnson" pelo pivô da Lava Jato.

Moch
João Vaccari Neto

Com aquela pinta de pedófilo alemão da terceira idade, o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, era chamado de "Moch" - que vem a ser uma abreviatura de mochila - pelo ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco. De acordo com o delator, o apelido foi conferido ao homem da mala (ou melhor, da mochila) petista porque sempre aparecia nos locais de entrega de propina com o suporte de adolescente universitário a tiracolo.

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José Dirceu

O Don Corleone petista está em todas as frentes de corrupção do partido. As investigações revelaram um novo apelido de José Dirceu, o ex-chefe do Partido dos Trabalhadores e homem forte do governo Lula. Nas planilhas dos operadores, Dirceu era associado à sigla "Bob". Sabe-se, no entanto, que Roberto Marques, um antigo auxiliar do ex-ministro, é conhecido por esse apelido. Teria o ínclito ex-ministro ‘roubado’ a alcunha do parceiro?

My Way
Renato Duque

O sobrenome de cachorro cai bem no fantoche de Dirceu no esquema de corrupção. Renato Duque, o ex-diretor de Serviços da Petrobras, recebeu tratamento especial do ex-gerente de Serviços Pedro Barusco. Nas planilhas de controle, Duque era chamado de "My Way", em homenagem à canção eternizada por Frank Sinatra. Já o operador Shinko Nakandakari, mediador da propina da Galvão Engenharia, chamava Duque de "Amigão". Tudo bem que o cantor dos belos olhos azuis também era mafioso, mas não chegaria a tanto.

Greta Garbo
Nelma Kodama

Musa rechonchuda do Petrolão, a doleira Nelma Kodama não sofria de baixa autoestima, a julgar pelos apelidos que utilizava no aplicativo Blackberry Messenger para falar com o doleiro Alberto Youssef. Ela adorava usar codinomes de atrizes de Hollywood, tais como Angelina Jolie, Greta Garbo e Cameron Diaz. “Free Willy” ou “Orca” seria bem mais apropriado para ela esta madame.

Batman
Júlio Faerman

O operador Júlio Faerman, responsável por pagamentos de propina da holandesa SBM, já era investigado pela Polícia Federa antes da Lava Jato, por outras falcatruas. Mas o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco revelou uma nova faceta do lobista. Faerman era chamado de “Batman”, porque andava sempre com o sócio Luís Eduardo Barbosa e colocaram o apelido na dupla de “Batman e Robin”. Mas cá pra nós, o sujeito tem mesmo pinta é do mordomo “Alfred”, com todo respeito ao personagem que era um homem de bem

Marsahll
João Carlos Ferraz

Este é bem emblemático. O ex-presidente da Sete Brasil, João Carlos Ferraz, tinha o apelido mais graduado na escala da propina detalhada Pedro Barusco. Nas planilhas que fatiavam os ‘generosos’ desembolsos, Barusco chamava Ferraz de "Mars", uma abreviação de Marshall. Olhando bem para o dito cujo, ele tem mais cara de bicheiro de escola de samba

Sabrina
Pedro Barusco

O ex-gerente de Serviços Pedro Barusco era um participante do esquema criminoso tão meticuloso que mantinha planilhas de controle, com os respectivos valores destinados a cada beneficiado por propinas. Em outras palavras, ele estava preparado para uma enrascada como esta, para poder barganhar com a Justiça dando nomes aos bois e às vacas do esquema de corrupção. E tinha uma maneira peculiar para designar quem seria o beneficiário em cada contrato da Petrobras e da Sete Brasil. Com carinho, a sua fatia era mencionada ao lado da sigla SAB, abreviação de “Sabrina”, nome de uma ex-namorada do delator. Será que por trás daquele carranca de mafioso italiano não se esconde uma potranca genovesa?

Leitoso
Eduardo Leite

O vice-presidente comercial da Camargo Corrêa, Eduardo Hermelino Leite, era constantemente chamado de “Leitoso” pelo doleiro Alberto Youssef, ao falar de pagamentos de propina. De acordo com as investigações, “Leitoso” era responsável por providenciar a liberação do suborno a políticos e diretores da estatal em troca de contratos da Petrobras. Se observarmos com mais carinho, o sujeito bem que também poderia ser chamado de “leitão”. Perfil suíno ele tem.

Primo
Alberto Youssef

O doleiro Alberto Youssef, de ascendência árabe, era sempre chamado de "Primo" na diversificada organização criminosa investigada na Operação Lava Jato. O apelido era popular entre políticos e executivos que participavam do esquema de corrupção, de Brasília a Londrina, cidade natal do operador. Deve ser por isso que uma de suas “primas” fez tanto sucesso na revista Playboy. Não se pode dizer que o cara não tem bom gosto com “quengas”

PR

Paulo Roberto Costa

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa era chamado pelo doleiro Alberto Youssef de "PR". Em uma das conversas, o doleiro, com a habitual fanfarronice, chegou a perguntar ao ex-deputado federal Luiz Argôlo se ele sabia que "PR" tinha sido convidado a assumir o Ministério das Cidades no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. A verdade é que ele jogou Dilma no ventilador e pode acabar virando herói nacional – ou defunto. Afinal, com os ‘barbudos’ PT não se brinca...

 

Lido 1763 vezes Última modificação em Quinta, 05 Março 2015 23:10

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