A aposta no mercado Destaque

Escrito por  Urbano Nóbrega
Publicado em Economia Afinada
Segunda, 10 Março 2014 00:00

 

Sem dúvida que as pessoas e as empresas em busca da sobrevivência se lançam em verdadeiras aventuras, tais como participar de competições risíveis como os realities shows, concursos para ver quem come mais cachorro-quente em menos tempo ou uma coxinha com 1 kg. Fazem compras só de roupa íntima a fim de obter maiores descontos, vendem produtos muitas vezes fora do prazo de validade, se associam com seus concorrentes, entre tantos outros exemplos. Mas, e a economia?

Em economia, uma boa explicação para esses casos, ridículos, diga-se de passagem, mas não fictícios, se resume em uma palavra ou expressão bastante simples e entendível: o mercado. Mas o mercado que se quer chamar a atenção não é aquele do supermercado do bairro ou da feira-livre, embora sejam bons para se compreender a sua lógica, mas àquele que é tratado em sentido amplo. É no mercado onde os empresários, visando o lucro, e os consumidores, buscando satisfação ou utilidade para a compra, se encontram, numa quantidade de vezes que se repete dependendo do tipo de produto que se transaciona, tendo como alguns exemplos, taças de cristal, jornal, carro, iate, cigarro...

Até a nossa força de trabalho é tratada no mercado, no mercado de trabalho. Inúmeros são os estudos feitos para avaliar a qualidade de vida do trabalhador, se o salário é suficiente para atender sua cesta de consumo, se as horas da jornada são adequadas para conciliar com o lazer da família, se os direitos trabalhistas estão sendo respeitados etc. Essa ilustração serve para esclarecer que no mercado não só produtos físicos são comercializados, mas há também serviços, como turismo, consultas médicas, consultorias financeiras até cartomantes. Nesse mesmo mercado, de forma ampliada, estão organizados o que nós economistas chamamos de oferta e demanda, opondo dois conceitos que sempre se chocam, o de lucro máximo e custo mínimo de um lado e o de máxima satisfação com gasto mínimo de outro. As empresas estão sempre em busca de aumentar sua fatia no bolo (do mercado) e as pessoas procurando meios de tirar o máximo de proveito dele (do mercado) gastando pouco, o famoso custo-benefício.

Mesmo considerando a simplicidade até aqui discutida, a dicotomia intrínseca e sua lógica, o mercado por muitas vezes na economia estava relacionado a temas ou questões meramente econômicas e tradicionais como entender os efeitos da inflação, do desemprego, do comércio internacional, da distribuição de renda. Mas, hoje em dia, como defende o professor de Harvard Michael Sandel, “passamos de uma economia de mercado para uma sociedade de mercado”. Para compreender, refletir e divulgar esse seu ponto de vista, onde ele diz que é possível adquirir o direito de ser imigrante nos Estados Unidos por US$ 500 mil ou ter uma barriga de aluguel na Índia por US$ 6.250, voltemos para os nossos exemplos anteriormente citados.

Quando as pessoas se submetem ao ridículo de se expor a câmeras “ocultas” e realizar tudo o que se acham no direito o fazem pensando no prêmio principal e nos secundários, ou seja, desejam ampliar seus horizontes de compras. E aos que assistem dão audiência e são expostas as mais diversas propagandas, de carro, comida, xampu etc. uma espécie de laboratório para as empresas que lá ofertam e que almejam atingir outras praças. Atrair a atenção do consumidor com uma proposta inusitada de conceder desconto para quem comprar só de calçinha, sutiã ou cueca é um engodo, na verdade está fazendo mídia barata, deixando compradores e curiosos felizes. Se empanturrar de cachorro-quente para ganhar uma merreca enquanto patrocinadores faturam horrores ou se associar com o concorrente para aumentar preços é uma realidade na lógica econômica atual, mas que afronta os valores e a ética.

Urbano Nóbrega – Portal 24 Horas PB
(09/03/2014)

*Urbano Nóbrega é economista, formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e mestrando em Administração e Desenvolvimento Rural na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atualmente é coordenador do Centro de Pesquisa (Cepesq) do Instituto Fecomércio em Pernambuco e trabalha na produção de índices de acompanhamento do varejo na Região Metropolitana do Recife (RMR), além de ter participado diretamente da implantação das sondagens de opinião junto aos empresários/gestores e consumidores, captando informações nas principais datas comemorativas do comércio de bens e serviços.Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Lido 1653 vezes Última modificação em Segunda, 10 Março 2014 01:12

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