A mobilidade em questão Destaque

Escrito por  Urbano Nóbrega
Publicado em Economia Afinada
Terça, 25 Fevereiro 2014 00:00

 

Começo o artigo dessa semana com uma citação interessante: “Os problemas de trânsito de todas as naturezas são tão antigos quanto o próprio trânsito. Desde que os seres humanos começaram a se deslocar artificialmente, isto é, com algo mais além do que seus próprios pés, a mobilidade tem trazido implicações que exigem soluções técnicas e sociais”.

A mobilidade é definida como a capacidade de mover-se ou ser movido a facilidade de deslocar-se de um lugar para outro. Seja como for, trata-se de um assunto muito amplo, podendo servir de tema para qualquer que seja o artigo, livro, resenha, monografia, dissertação ou tese. Seus questionamentos envolvem diferentes aspectos que podem ser minorados a partir da interação entre as diversas linhas de pesquisa científica como nas ciências exatas, da saúde e sociais. Mas e na economia?

Como ciência social posso dizer aos amigos que a economia dá voz à mobilidade, não só urbana como nas cidades grandes, médias ou pequenas, mas também no meio rural. Quando se está parado no trânsito, perde-se tempo e tempo é dinheiro. Quando se trafega por uma BR e o carro cai em um buraco e desalinha (novidade!!!), gasta-se dinheiro com oficina. Quando há um acidente, um atropelamento, ambulâncias são deslocadas e o hospital é acionado, isso demanda recursos. Aqui no Brasil o custo médio dos atendimentos com acidentes de trânsito é altíssimo, inclusive os que envolvem motocicletas são considerados epidêmicos dado a grande quantidade, segundo o Mapa da Violência (2013).

A mobilidade ou a falta dela, seus efeitos e consequências devem ser compartilhados por toda sociedade, mas o Brasil ainda precisa aprender muito. Um bom exemplo para essa questão é o caso das bicicletas. Estas são consideradas uma solução para os problemas de mobilidade urbana em vários países. Nós somos o terceiro maior produtor mundial de “magrelas”, atrás da China e da Índia nações altamente populosas, mas ocupamos o 22º lugar quando o critério é o uso delas, em um ranking de 32 países que têm a Eslovênia, Dinamarca, e Japão como os primeiros da lista.

Por aqui nos últimos 2, 3 anos a bicicleta virou moda, suas lojas, venda de peças, acessórios, oficinas, gente usando para tudo que é lado, claro, com incentivo para se usar porque é um transporte limpo e, sobretudo, saudável, mas falta espaço. Quase não existem ciclovias e as que ainda resistem como na Av. Tancredo Neves em João Pessoa, e mais tantos exemplos Brasil afora, são invadidas pelos carros e motos numa busca desenfreada por espaços.

Para encerrar a conversa mostro outra contradição bem brasileira: o imposto que incide na fabricação das bicicletas é 40,5% do valor final do bem, o que para carros chega a 32%. Outra coisa, até o ano passado os automóveis gozaram de isenção de impostos que estimulou muito o seu consumo, fazendo com que a indústria automobilística batesse recordes de vendas, o que tornou a mobilidade nas cidades cada vez mais complicada. Porque não fazer o contrário e retirar o imposto das bicicletas? A resposta pode ser simples, em um país onde se ter carro é sinônimo de status, poder fazer políticas de inclusão para os transportes alternativos não é visto com bons olhos.

*Esse artigo contou com as valiosas contribuições de Kênia Brilhante, fisioterapeuta e sanitarista, mestranda em Saúde Coletiva do Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, Fiocruz, Recife/PE.

Urbano Nóbrega – Portal 24 Horas PB
(24/02/2014)

Fontes:
Vasconcelos Silva, Paul Hindenburg Nobre. Violência e morte no trânsito. Recife, editora universitária, 2013.

Brasil. Mapa da violência 2013.

 

 

*Urbano Nóbrega é economista, formado pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e mestrando em Administração e Desenvolvimento Rural na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Atualmente é coordenador do Centro de Pesquisa (Cepesq) do Instituto Fecomércio em Pernambuco e trabalha na produção de índices de acompanhamento do varejo na Região Metropolitana do Recife (RMR), além de ter participado diretamente da implantação das sondagens de opinião junto aos empresários/gestores e consumidores, captando informações nas principais datas comemorativas do comércio de bens e serviços.Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Lido 5070 vezes Última modificação em Terça, 25 Fevereiro 2014 17:40

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