Discutindo um pouco sobre a questão dos juros no Brasil Destaque

Escrito por  Urbano Nóbrega
Publicado em Economia Afinada
Sexta, 31 Julho 2015 00:00

 

A decisão do Banco Central de fixar a taxa de juros Selic em 14,25% coloca mais uma vez o Brasil em posição de destaque, e em tempos de disputa como a que ocorre no campeonato brasileiro (futebol), o país ocupa o topo na tabela da competição pelos maiores juros em nível internacional. Mas e a economia?

Caros leitores, em momentos de dificuldade na economia como este, que tem a inflação perto dos dois dígitos, um baixo crescimento do produto e o desemprego começando a preocupar, o aumento na taxa de juros segue na direção oposta ao caminho de se sair da crise. Isso por que a maior consequência desse ato, aliás, a sétima vez seguida que se repete, é que onera o capital e de certa forma impacta no custo da mercadoria que chega ao consumidor final, tão combalido com os recentes aumentos nos preços.

O ambiente com juros elevados torna os investimentos mais caros, fazendo minguar as expectativas dos empresários que vão adiando suas pretensões. A título de comparação, as taxas de juros nos Estados Unidos estão sendo mantidas no piso histórico entre 0% e 0,25% desde a crise financeira internacional de 2008.

Voltando a questão, à medida que se eleva os juros no Brasil para conter a inflação, se provoca o desestímulo ao consumo com o encarecimento do crédito, e com menos compras há pressão para que os preços diminuam. Essa é uma métrica bem acertada quando se tem uma situação em que o consumo está aquecido e o quer desestimulá-lo, mas no Brasil atual, o consumo não só está desestimulado como também comprometido com velhas dívidas.

Juros maiores não afetam só as empresas e aos consumidores, mas ao próprio governo que prevê aumentar o montante da dívida pública atrelada a taxa Selic. Vale lembrar que quando o consumo cai, baixa a arrecadação federal. E para piorar, as coisas estão ficando tão nebulosas que as agências internacionais de classificação de risco indicaram o Brasil como no limite das economias com grau de investimento, com a perspectiva, e digamos, com o alerta para um possível rebaixamento, o que faria com que o país voltasse a pertencer ao grupo de países com capitais especulativos.

Ao invés de aumentar juros para ajustar a inflação, apostando o governo ser uma inflação de demanda, deveria dar mais condições às empresas para produzirem, agindo favoravelmente na geração de um maior fluxo de mercadorias e serviços. Uma boa dica seria zerar impostos, quem sabe melhorar a infraestrutura, diminuir a burocracia, otimizar gastos, enxugar a máquina pública, terminar as obras da copa que estão emperradas ou talvez expurgar os maus políticos.

Urbano Nóbrega - Consultor econômico e professor da Faculdade IBGM (Julho de 2015)

 

Lido 1620 vezes Última modificação em Segunda, 06 Março 2017 10:11
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